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terça-feira, 26 de março de 2019

Gafes internacionais, Maia e a comemoração do Golpe de 64.



Segue causando grande constrangimento e preocupação contínua o comportamento deplorável do presidente Jair Bolsonaro. Em sua passagem pelos EUA e especialmente em sua conversa com Donald Trump, ficou bem longe da postura exigida para um Chefe de Estado. No dia 18 de março Jair Bolsonaro (PSL) prometeu apoio total ao presidente americano em novas ações contra o presidente venezuelano Nicolas Maduro. Exemplos claros são o fim da exigência do visto para turistas americanos, quebra do princípio da reciprocidade, e principalmente a concessão da base de Alcântara no Maranhão ao governo do tio Sam também sem nenhuma contrapartida. Esse comportamento de subserviência e idolatria é algo incompreensível, não se obteve nada além de promessas vagas, voltou de mãos abanando e perdeu o protagonismo existente na América do Sul ao tomar partido e envolver-se indevidamente nas questões internas do seu vizinho sul americano. O Brasil perdeu a posição de mediador, e a imparcialidade que advém dessa condição. Nesse e em futuras questões que possam vir a ocorrer, perdeu-se a possibilidade de ser o condutor de negociações neutras, e perde-se também a confiança na diplomacia brasileira. Posteriormente em sua visita ao Chile, Bolsonaro seguiu sua verborragia desenfreada, enfrentando muitas manifestações contrárias a sua presença em território chileno. No Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, em almoço para mais de 120 convidados gerou mais constrangimento. Declarou que ter admiração pelo ditador chileno General Augusto Pinochet (1973-1990) e também pelo ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989), esse último chamado de estadista e um homem de visão. No dia seguinte a sua partida do Chile o presidente Sebastian Pinera, procurando afastar-se de Bolsonaro e seu comportamento errático, afirmou categoricamente “As frases de Bolsonaro sobre a ditadura são infelizes”. No plano doméstico Rodrigo Maia voltou a se manifestar, dizendo que o presidente precisa envolver-se pessoalmente na articulação da reforma da previdência, e procurar individualmente as lideranças partidárias de sua base de apoio. Maia afirmou também estar bastante incomodado com as críticas recebidas nas mídias sociais, de que ele representa a “velha política”. E para finalizar chamou bastante atenção o mais duro ataque de um jornal ao Governo Bolsonaro feito pelo Estadão, um jornal essencialmente conservador e liberal, e por seu conteúdo possui abrangência internacional. E apesar da convergência de seus princípios com a agenda do Presidente, sobre privatizações e redução do tamanho do Estado, fez um editorial duríssimo intitulado “ Procura-se um Presidente”. Afirmando categoricamente que Jair Bolsonaro não tem preparo para o exercício do cargo. Ganha bastante importância nesse colnexto, o jantar organizado pelo vice-presidente Hamilton Mourão para 500 lideranças empresariais, nessa terça feira (26), com o objetivo de botar panos quentes e reduzir os estragos. O Jornal inclusive noticiou que o Presidente está estimulando os militares a comemorar o golpe militar de 31 de março de 1964. Algo que certamente trará satisfação para os mais radicais eleitores de Bolsonaro, mas certamente vai criar um desnecessário e inoportuno embaraço, num momento em que necessita o País de união para aprovar as duras reformas. O Desdém na construção e principalmente na condução da base de apoio do bloco governista, e essa deliberada desorganização política, somada a incapacidade de realizar as tarefas institucionais que lhe cabem vão cobrar seu preço inevitavelmente. Aliás como já dissemos aqui mesmo no PANORAMA COLETIVO, as quedas vertiginosas em sua popularidade, irão degradar rapidamente o apoio que veio das ruas, e em um curtíssimo espaço de tempo o governo vai se encontrar sem saída e principalmente sem seus pares, ficando Jair Bolsonaro encastelado com seus filhos, mais parecendo um Rei sem poder nem súditos.  


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